1. MEDRONHEIRO – Arbutus unedo
2. ARGÂNIA – Argania spinosa
3. PASCOINHAS – Coronilla glauca
4. LODÃO-BASTARDO – Celtis australis
5. ALFARROBEIRA – Ceratonia siliqua
6. OLAIA – Cercis siliquastrum
7. LIMOEIRO – Citrus limon
8. LARANJEIRA – Citrus sinensis
9. PILRITEIRO – Crataegus monogyna
10. CIPRESTE-MARROQUINO – Cupressus atlantica
11. CIPRESTE – Cupressus sempervirens
12. URZE – Erica arborea
13. FIGUEIRA – Ficus carica
14. SANGUINHO DE ÁGUA – Frangula alnus
15. FREIXO-COMUM – Fraxinus angustifolia
16. JACARANDÁ – Jacaranda mimosifolia
17. ZIMBRO – Juniperus oxycedrus
18. LOUREIRO – Laurus nobilis

19. LOENDRO – Nerium oleander
20. SAMOUCO – Myrica faya
21. MURTA – Myrtus communis
22. OLIVEIRA – Olea europaea var. europaea
23. ZAMBUJEIRO – Olea europaea var. sylvestris
24. ADERNO-DAS-FOLHAS-ESTREITAS – Phillyrea angustifolia 
25. ADERNO-DAS-FOLHAS-LARGAS – Phillyrea latifolia 
26. PINHEIRO-BRAVO – Pinus pinaster
27. PINHEIRO-MANSO – Pinus pinea
28. PISTACHEIRO DO ATLAS – Pistacia atlantica
29. AROEIRA – Pistacia lentiscus
30. CORNALHEIRA – Pistacia terebinthus
31. CHOUPO-BRANCO – Populus alba
32. CHOUPO-PRETO – Populus nigra
33. ROMÃZEIRA – Punica granatum
34. ABRUNHEIRO-BRAVO – Prunus spinosa
35. PEREIRA-BRAVA – Pyrus bourgaeana
36. CARRASCO – Quercus coccifera
37. CARVALHO-PORTUGUÊS – Quercus faginea subsp. broteroi

38. CARVALHO-NEGRAL – Quercus pyrenaica
39. AZINHEIRA – Quercus rotundifolia
40. SOBREIRO – Quercus suber
41. PIORNO-BRANCO – Retama monosperma
42. PIORNO-AMARELO – Retama sphaerocarpa
43. SANGUINHO-DAS-SEBES – Rhamnus alaternus
44. ESPINHEIRO-PRETO – Rhamnus lycioides subsp. Oleoides
45. SALGUEIRO-PRETO – Salix atrocinerea
46. BORRAZEIRA-BRANCA – Salix salvifolia subsp. australis
47. SABUGUEIRO – Sambucus nigra
48. TAMARGUEIRA – Tamarix africana
49. ATEL – Tamarix aphylla
50. SABINA – Tetraclinis articulata
51. FOLHADO – Viburnum tinus

1. MEDRONHEIRO – Arbutus unedo

Família: Ericaceae
Morfologia: Arbusto ou pequena árvore até 12 m de altura de casca fendilhada, destacando-se em tiras, geralmente acastanhadas; folhas persistentes com 4-11×1,5-4 cm, serradas a subinteiras, glabras excepto na base. Inflorescências em panícula com 4-5 cm, corola com 9×7 mm, branca mas frequentemente tinta de rosa ou verde.
Fruto: baga com 10-20 mm, passando de verde por amarelo e escarlate a vermelho-escuro.
Habitat/ Ecologia: Matas, matos, pinhais, orlas de bosques.
Floração: Outubro – Fevereiro.
Distribuição: Quase todo o país. Oeste, Centro e Sul da Europa, Noroeste de África, Oeste da Ásia, Macaronésia (Canárias).
Utilização: Alimentar (fruto comestível antes da fermentação); indústria artesanal (fabrico de aguardente por fermentação do fruto e destilação); um produto medicinal (anti-séptica, antinefrítica); ornamental (jardinagem).

O mecanismo natural de reprodução desta espécie começa com a queda do fruto maduro no Outono/Inverno, a partir do qual se produz uma maceração e fermen- tação das sementes. Esta é ajudada em grande parte pela manta vegetal e o sucesso de germinação na Primavera seguinte dependerá das condições edafo-climáticas em que decorreu essa maceração/fermentação.

2. ARGÂNIA – Argania spinosa

Família: Sapotaeae
Morfologia: Arbusto ou pequena árvore até 12 m de altura de casca fendilhada, destacando-se em tiras, geralmente acastanhadas; folhas persistentes com 4-11×1,5-4 cm, serradas a subinteiras, glabras excepto na base. Inflorescências em panícula com 4-5 cm, corola com 9×7 mm, branca mas frequentemente tinta de rosa ou verde.
Fruto: Argão
Habitat/ Ecologia: Matagais xerofíticos Floração: Março-Abril
Distribuição: Originária da região Arábico-Sariana, endémica dos desertos calcários do Sudoeste de Marrocos.
Utilização: A confeção tradicional do óleo de argão começa com cabras que comem a polpa do fruto. Os caroços são depois recolhidos e quebrados, para retirar o miolo, sendo este por fim prensado para extrair o óleo.

O óleo de argan sempre foi usado praticamente para tudo: para cozinhar, para deixar o cabelo das mulheres mais forte e brilhante e, o mais importante, para rejuvenescer. As marroquinas passam o óleo no rosto para hidratar e evitar rugas. O óleo de argan hoje é considerado em todo o mundo um grande aliado da beleza feminina.

3. PASCOINHAS – Coronilla glauca

Família: Fabaceae
Morfologia: Arbusto perenifólio, arredondado com 1-1,5m de altura e 1-1,5m de diâmetro. Folhas alternas, compostas, imparipinuladas, com 2-4 pares de folíolos obovados, truncados no ápice, verde escuro a ligeiramente glauco, principalmente na página inferior. Flores amarelas, em umbelas axilares, de 4-13 flores, odoríferas.
Fruto: Vagem com segmentos facilmente desarticulados, até 5cm de comprimento.
Habitat/ Ecologia: Matos mediterrânicos, clareiras e orla de matagais e bosques esclerófilos. Em solos delgados e por vezes em arribas litorais. Rupícula.
Floração: Março a Abril e em Setembro (menor densidade).
Distribuição: Grande parte Região Mediterrânica
Utilização: Utilizada em espaço urbano, preferencialmente em locais ao sol, pela beleza das suas flores. Coronilla significa pequena corola.

4. LODÃO-BASTARDO – Celtis australis

Família: Ulmaceae
Morfologia: Árvore caducifólia que pode atingir os 30 m de altura e tem ramos finos e erectos. A casca do tronco é lisa e cinzenta. Folhas verdes, alternas e pecioladas, assimétricas e trinérveas na base; são ásperas na página superior e têm pêlos curtos na página inferior. Lanceoladas a ovado-lanceoladas, terminam numa ponta aguda, a margem duplamente dentada ou serrada e medem 4-14 x 1,5-7 cm. Flores com 5 peças de cor amarela-esverdeada, solitárias, ou raramente em grupos de 2 a 3, surgem nas axilas do ramos, na extremidade de longos pedicelos (8 a 15 cm).
Fruto: drupa globosa, longamente pedicelada (até 4 cm), com cerca de 1 cm de diâmetro. A drupa começa por ser verde e fica quase negra, com o interior amarelo, quando madura. Frutificação no final do verão e outono.
Habitat/ Ecologia: Espécie espontânea em barrancos, vales encaixados ou leitos de cheia, sobre solos frescos e profundos ou afloramentos rochosos fissurados.
Floração: Março – Junho
Distribuição: Originária da região Arábico-Sariana, endémica dos desertos calcários do Sudoeste de Marrocos.
Utilização: Árvore muito cultivada como espécie ornamental em jardins e arruamentos de diversas cidades portuguesas. Para além da sua madeira proporcionar lenha e carvão de boa qualidade, quando cortada em finas tiras a sua madeira pode ser usada para cestaria. Por ser leve e dura, mas relativamente elástica era escolhida para o tradicional jogo-do-pau. O caule e a raiz foram em tempos usados para tingir seda, pois possuem um pigmento amarelo.

5. ALFARROBEIRA – Ceratonia siliqua

Família: Fabaceae
Morfologia: Árvore de copa ampla e densa, perene. Folhas parapinuladas com 2-5 pares de folíolos lustrosos, ovais e coriáceas, com estípulas muito pequenas e caducas. Flores verdes, numerosas, dipostas em cachos curtos, pétalas nulas.
Fruto: vagem de até 20X2 cm, glabra e coriácea.

Habitat/ Ecologia: Matagais
Floração: Julho – Outubro
Distribuição: Mediterrânica e Macaronésia (Canárias); introduzida ou subespontânea em Portugal e outras zonas de clima temperado. Em Portugal é cultivada no Algarve, no Alentejo e na Serra da Arrábida. Muito pouco resistente a geadas.
Utilização: Planta com interesse Medicinal. A polpa é usada no tratamento de diarreias, vómitos, gastrites, gastrointerites e úlcera gastroduodental. A goma é usada como laxante e coadjuvante em tratamentos de obesidade, diabetes, hipercolesterolemia e consequente prevenção da arteriosclerose. O fruto da alfar- robeira (a alfarroba) é largamente usado no fabrico de vários produtos alimentares e não só. A polpa (que constitui 90% do peso do fruto) é utilizada na forma de farinha na indústria alimentar, como sucedâneo do chocolate, bem como no fabrico de doçaria variada como bolachas e bolos, licores, xarope, pão, e ainda no fabrico de rações animais. Por sua vez, da semente extrai-se uma goma, a qual é utilizada em vários produtos pelas suas propriedades de espessante (E410), nomeadamente na indústria farmacêutica (para dar forma a alguns comprimidos), na cosmética (para reter a água), na alimentar (como aditivos para pudins, papas de bebé e estabilizantes de gelados), a têxtil e do papel. É Utilizada como ornamental em jardins. Cultivada em pomares mistos ou extremes (alfarrobais); Fruto comestível – utilizado na confecção de doçaria; Existem vários cultivares (variedades) regionais – Galhosa, Mulata do Espargal, Preta de Lagos, Brava de Lagoa, Canela, etc.

6. OLAIA – Cercis siliquastrum

Família: Ulmaceae
Morfologia: Árvore caducifólia com 6-8 m de altura e 6 m de diâmetro. Folhas simples, alternas, reniformes, verde escuras na página superior e ligeiramente glaucas na inferior. Flores rosa/carmim, em cachos; a floração é abundante e as flores surgem antes das folhas, formando-se algumas também no tronco.
Fruto: vagens deiscentes, achatadas, com aproximadamente 10 cm, de comprimento; no início são verdes, evoluindo para púrpura e, por fim, ficam castanhas. Permanecem na árvore durante o inverno.
Habitat/ Ecologia: Região Mediterrânea (SE.Europa e SW Ásia)
Floração: Início da Primavera (Fevereiro – Março)
Distribuição: Originária da região Arábico-Sariana, endémica dos desertos calcários do Sudoeste de Marrocos.
Utilização: Segundo a bíblia, Judas Iscariotes enforcou-se numa olaia, o que justifica o nome vulgar árvore-de-Judas; a folha em forma de coração justifica o nome vulgar árvore-do-amor. Na Tapada de Mafra existe um exemplar, com quase 100 anos, que foi classificado como árvore de interesse público.

7. LIMOEIRO – Citrus limon

Família: Rutaceae
Morfologia: Árvore perenifólia com 4-6 m de altura, de copa arredondada com 3-4 m de diâmetro, ritidoma castanho-claro e ramos com espinhos robustos. Folhas com 5-10 cm de comprimento, alternas, elípticas, agudas no ápice, verde-médio, brilhantes na página superior, ligeiramente coriáceas, aromáticas quando esmagadas; pecíolos com asas estreitas. Flores com cerca de 4 cm diâmetro, brancas, aromáticas, solitárias ou aos pares; botões vermelhos ou púrpura.
Fruto: Hesperídio amarelo, oblongo a arredondado com casca glandulosa, lisa ou rugosa, de sabor ácido, amarelo quando maduro, conhecido por limão. Outono.
Habitat/ Ecologia: Não tem. Terrenos cultivados. Cosmopolita.
Floração: Primavera
Distribuição: Origem desconhecida, provavelmente NW Índia e sudeste asiático; largamente cultivado nas regiões tropicais, subtropicais e temperadas.
Utilização: Largamente cultivado em regiões temperadas, tropicais e subtropicais pelos seus frutos, os limões, que são das frutas mais conhecidas e utilizadas no mundo. Por vezes, também como ornamental. Os gregos utilizavam o limão para proteger as roupas das traças.

8. LARANJEIRA Citrus sinensis

Família: Rutaceae
Morfologia: Árvore de porte médio e copa densa, arredondada e perene. O tronco e ramos apresentam casca castanho-acinzentada e são um tanto tortuosos. As folhas são verdes, coriáceas, brilhantes e muito aromáticas.
Fruto: Em geral esféricos, de casca alaranjada, com pericarpo branco, rico em pectina. A polpa é aquosa, de coloração entre o amarelo claro e o vermelho. Dependendo da variedade, podem conter sementes ou não, que são arredondas e achatadas, de coloração verde-esbranquiçada a pardacenta.
Habitat/ Ecologia: Terrenos cultivados.
Floração: Março – Abril
Distribuição: Originário do E Ásia; actualmente cosmopolita, sendo cultivado em todos os continentes. Em Portugal é cultivada em várias regiões, destacando-se o Algarve pela expressividade da sua produção.
Utilização: Espécie frutíferia introduzida. Cultivada pelos seus frutos, característicos pela sua polpa amarga e com alto teor de sumo. É utilizada para consumo em fresco, em sumos, ou em preparações culinárias (pastelaria, caldas, geléias, chás, compo- tas, licores, gelados e outras sobremesas). A polpa é utilizada na confecção de pratos salgados, molhos para aves, peixes e carne vermelha. Os óleos essenciais de laranja, extraídos principalmente da casca tem ampla utilização na indústria de perfumes, cosméticos, produtos de limpeza e aromaterapia, com propriedades calmantes e anti-depressiva. As flores apresentam igualmente um elevado interesse económico, nomeadamente pela suas características melíferas, isto ao atrairem as abelhas em profusão. O mel de flores de laranjeira é mesmo um dos mais valorizados no mercado. Das flores da laranjeira extraem-se essências amplamente utilizadas na culinária, principalmente a árabe, e na indústria de perfumaria e cosmética.

9. PILRITEIRO Crataegus monogyna

Família: Rosaceae
Morfologia: Arbusto caducifólio, com 3-4 m de altura, muito ramificado, com espinhos curtos e fortes, por vezes, pequena árvore até 8-10 m. Folhas até 4-5 cm, alternas, simples, fendidas, com 3 a 7 lóbulos desiguais, um pouco coriáceas e lustrosas. Flores com 8-15 mm de diâmetro, com 5 pétalas brancas ou rosadas, arredondadas, em ramalhetes; estames numerosos, com anteras rosadas.
Fruto: Carnudo com 6-10 mm, avermelhado, com 1 a 5 sementes muito duras.
Habitat/ Ecologia: Sebes, matas e orlas de bosque, principalmente em solos frescos, soltos e húmidos. Também nas margens de rios.
Floração: Abril – Maio
Distribuição: W e C Europa, Cáucaso, Anatólia, Próximo Oriente e NW África; introduzida na Macaronésia (Madeira), América do N, SE Austrália e Nova Zelân- dia

10. CIPRESTE-MARROQUINO – Cupressus atlantica

Família: Cupressaceae
Morfologia: Árvore conífera rara. Com folhas azuladas com manchas de resina branca. Brotos menores que o Cupressus sempervirens achatados. Cones globosos com apenas 1,5-2,5 cm e comprimento.
Habitat/ Ecologia: Os solos são mais ou menos erodidos, em material de origem constituído principalmente de xisto e basalto. As árvores crescem a uma altitude de 1100-2000 m num clima mediterrâneo com precipitação de 350-700 mm/ano. A espécie é resistente à seca e à geada.
Distribuição: Endémica do vale do rio Oued n’Fiss, nas montanhas do Alto Atlas ao sul de Makkarech, no oeste de Marrocos.
Utilização: Pode produzir toras longas e de alta qualidade e tem uma madeira muito atraente e aromática, de longa duração.

11. CIPRESTE – Cupressus sempervirens

Família: Cupressaceae
Morfologia: Folhas persistentes, opostas, escamiformes, obtusas, curtas de 1 a 1.5 mm de comprimento, todas semelhantes, muito aplicadas ao raminho, verde-escuro mate. Flores: planta monoica que floresce na Primavera. As flores masculinas: estróbilos amarelo-esverdeados de 4 a 8 mm de comprimento, dispostos nas extremidades dos ramos, as femininas são globosas e situam-se na extremidade de outros raminhos geralmente curtos.
Frutos: Pequenos gálbulas, com forma de cones-globosos, curtamente pediculadas, oblongas de 2,5 a 4 cm de comprimento, primeiro verdes, depois cinzento-amareladas quando maduras no segundo ano, com 10 a 14 escamas poligonais, mucronadas e com margens algo onduladas. Cada escama ao abrir liberta entre 8 a 20 sementes aladas com cerca de 3 a 6 mm.
Habitat/ Ecologia: Pouco exigente quanto ao solo, aceita-os secos, pobres, áridos, calcários ou não, mas rejeita os encharcados. Medianamente tolerante ao ensombramento, resiste bem ao vento e à secura e mínimas de -10/15° C. Não vai além dos 800 m de altitude. Vive cerca de 1000 anos.
Floração: Fevereiro – Março
Distribuição: Aparentemente é originário do Próximo-Oriente, Irão, Síria, mas foi plantado extensamente e hoje encontra-se naturalizada em toda a zona mediterrânea. Em Portugal: está espalhada por todo o território, exceto nas zonas alpinas.
Utilização: A forma fusiforme tem essencialmente um papel ornamental e faz parte da paisagem de clima mediterrânico. Devido à sua boa resistência ao vento, os ciprestes fusiformes são utilizados na constituição de sebes e de corta-vento na proteção das culturas. Já a forma fastigiada tem aplicação florestal, pois a sua madeira de boa qualidade, pesada e muito duradoira é praticamente indestrutível, mesmo em locais húmidos; utilizada em mobiliário de luxo, fabrico de instrumentos musicais e carpintaria.
Propaga-se por semente.

12. URZE – Erica arborea

Família: Ericaceae
Morfologia: Arbusto perenifólio, que pode ultrapassar os 4 metros de altura. Folhas com 3-9 mm de comprimento, muito estreitas (em forma de agulha), com margem revoluta, ereto-patentes. Flores com 2-3,5 mm, brancas, com corola campanulada, muito numerosas em cada cacho.
Fruto: uma cápsula com 2 mm, obovóide ou globosa, glabra.
Habitat/ Ecologia: Em matagais, bosques abertos e orlas de sobreirais ou carvalhais. Em vertentes frescas ou algo sombrias, em solos ácidos e de origem siliciosa, raramente em calcários descarbonatados. Desde 0 a 1300m.
Época de Floração: Feveiro a Julho
Distribuição: Região Mediterrânica, Macaronésia, N e E África. Nativa em todo o país, incluso Serra da Estrela (mas rara no sudeste). Nativa da Madeira.
Utilização: Os cecídios das raízes da urze-molar costumam ser usados como matéria-prima na fabricação dos cachimbos. Por duas razões: grande resistência ao fogo e a sua capacidade natural de absorção da humidade. Na natureza, os cecídios da raiz absorvem a humidade e fornecem-na à planta, o que é bastante necessário no ambiente normalmente seco onde a planta vive.

13. FIGUEIRA – Ficus carica

Família: Moraceae
Morfologia: Arbusto ou árvore caducifólia, 3-5 de altura (8-10 m nos espécimes cultivados); Tronco tortuoso, ramificado, casca cinzenta e lisa, que emana um líquido leitoso acre e irritante; Copa ampla com ramos compridos e horizontais. Folhas caducas (Outono), muito grandes, até 20 cm, ásperas, com pecíolos com- pridos, e limbo palmatilobado com 3-7 lóbulos, raramente não lobadas; verdes escuras na página superior, pálidas, com pêlos rígidos, na face inferior, em dis- posição alterna. Flores (masculinas e femininas) pequenas, encerradas num receptáculo carnudo e piriforme (forma de pêra).
Fruto: Sícone – infrutescência piriforme (figo), com 5 a 8 cm, verde, castanho ou negro quando maduro. Polpa comestível, de cor verde ou avermelhada, o qual contêm os verdadeiros frutos, pequenos aquénios. Há figueiras que produzem apenas uma apanha por ano (figueiras uníferas) e as que produzem duas apanhas por ano (figueiras bíferas). Os figos produzidos nos ramos do ano anterior chamam-se figos lampos e amadurecem geralmente entre junho e julho. Os figos produzidos nos ramos do ano chamam-se figos vindimos e amadurecem entre agosto e princípios de outubro, ou até à chegada das primeiras chuvas fortes de outono.
Habitat/ Ecologia: Terrenos cultivados

Floração: Abril – Maio
Distribuição: Nativa da Região Mediterrânica; cultivada de forma generalizada no S Europa.
Utilização: Espécie fruteira introduzida. Fruto comestível – utilizado para consumo em fresco, ou na confecção de doçaria, seco. Existem vários cultivares (variedades) regionais: Bêbera branca, Bêbera preta, Lampa Branca, Moscatel, Pingo de Mel, Princesa, S. João, Toque Branco, Euchária Preta e outras.

14. SANGUINHO DE ÁGUA – Frangula alnus

Família: Rhamnaceae
Morfologia: Arbusto ou pequena árvore caducifólia, com 4 a 5 m de altura, de forma arredondada. Flores solitárias ou fasciculdas, axilares. Pétalas com cerca de 2,2 a 3,5mm. Folhas alternas com 3-8cm por 2,5-6cm, simlples, verdes, glabras.
Fruto: Drupa. Fruto carnudo, indeiscente com 6 a 10mm de diâmetro, negro ou avermelhado. Ritidoma cinzento-acastanhado, fissurado nos ramos mais velhos. Ramos jovens avermelhados.
Habitat/ Ecologia: Desenvolve-se em margens de cursos de água. Preferencia por solos ácidos, suportando contudo, solos calcários. Galeria ripícolas. Ocorre até aos 1000 m de altitude.
Época de Floração: Maio – Agosto
Distribuição: Grande parte da Europa, Cáucaso, Oeste e Centro da Ásia, Sibéria e NW de África.
Utilização: Os seus usos são muito diversos. A madeira é utilizada no fabrico de “carvões de desenho”, em tinturaria e, ainda, em cestaria. Por sua vez, a raiz e casca dos ramos têm aplicações na medicina tradicional. As suas flores são utilizadas em preparações farmacêuticas para redução de tensão arterial. Tem ainda um amplo uso ornamental.
A propagação é viável tanto por sementeira como por estacaria. No caso da sementeira, esta é viável no Outono ou na Primavera (com tratamento por estratificação). A propagação vegetativa é conseguida com estacas lenhosas, colhidas no verão, com 2-3 entrenós.

15. FREIXO-COMUM – Fraxinus angustifolia

Família: Oleaceae
Morfologia: Árvore caducifólia, tem porte mediano com copa colunar larga, pode atingir 35 m de altura, normalmente cerca de 15/20 m. Ramos pouco numerosos e ascendentes, raminhos curtos, pendentes e glabros. O fuste é recto e acinzentado, tonando-se densamente fendido. As flores, verdes ou vermelhas, hermafroditas ou unissexuais sem cálice nem corola; aparecem antes das folhas.
Fruto: Sâmara, com três a cinco centímetros de comprimento, achatada, glabra, de forma elíptica em pequenos grupos pendentes, com asa oblonga-lanceolada; castanhas na maturação.
Habitat/ Ecologia: Árvore de luz que faz usualmente parte da chamada mata ribeirinha, ou bosque ripícola. Muito resistente ao frio, aceita altitudes elevadas, até 1500 m. Espécie de bosques caducifólios, margens de cursos de água ou planícies aluviais . Indiferente ao pH do solo, desde que sejam húmidos e normais em húmus. Vive cerca de 200 anos.
Floração: Fevereiro – Abril
Distribuição: Originária do oeste Mediterrâneo: Europa e Norte de África. Em Portugal: espontânea em todo o território nacional, margens de rios e outros sítios frescos.
Utilização: Fornece uma madeira clara, resistente e elástica com boas características para a marcenaria e interiores, igualmente utilizada em cabos de ferra- menta. As suas folhas podem servir de forragem.
Propaga-se por semente e renova bem pelo cepo.

16. JACARANDÁ – Jacaranda mimosifolia

Família: Rhamnaceae
Morfologia: Árvore caducifólia, até 15m de altura, com copa geralmente arredondada, pouco densa; tronco ereto com ritidoma delgado, castanho-claro a acinzentado-claro, liso a finamente escamoso, ramos finos castanho-avermelhados. Gomos muito pequenos, arredondados. Folhas opostas, verdes mas mais claras na página inferior bipinuladas, por vezes folioladas. Flores hermafroditas, azul-violácea, reunidas em panículas terminais até 30cm, com cálice campanulado muito pequeno, com 5 dentes.
Fruto: Cápsula lenhosa, orbicular com cerca de 5cm de diâmetro, plano-ondulada, com 2 valvas inicialmente verdes e acastanhadas na maturação, deiscente por fendas com um tabique interno, maturação anual. As sementes são planas, delgadas, de cor castanho-claro, com asas membranosas.
Habitat/ Ecologia: Bosques áridos neotropicais/ Ornamental.
Época de Floração: Março-Maio, antes de ter folhas ou em Junho-Setembro.
Distribuição: Nativa da América do S (entre o S da Bolívia e o NW da Argentina); ornamental nos dois hemisférios; naturalizada na costa Pacífica dos EUA, na África do S, no E da Austrália, nas ilhas do Pacífico e, pontualmente, na bacia Mediterrânica.
Utilização: Ornamental, medicinal, matéria-prima (madeira aromática para carpintaria e marcenaria).
Propagação por semente.

17. ZIMBRO – Juniperus oxycedrus

Família: Cupressaceae
Morfologia: Pequena árvore perenifólia (raramente maior que 6 m), dióica e muito ramosa. Tronco: direito com casca fibrosa, castanho-acinzentada, que se desprende em tiras estreitas; ramos de secção quase triangular. Folhas: 3 verticiladas, semelhantes entre si, aciculares, rígidas, com duas faixas estomáticas esbranquiçadas na página superior, separadas por uma nervura verde e menor que 25 mm de comprimento. Inflorescências: flores unissexuais localizadas nas ax- ilas; estames com 3 ou mais sacos polínicos na face inferior de uma pequena escama; as flores femininas resultam num gálbulo baciforme, carnudo, vermelho a castanho, com 8-15 mm de diâmetro. A maturação é bienal.
Habitat/ Ecologia: Espécie silicícola que ocorre em matagais (e.g. zimbrais) ou bosques mistos de quercíneas, nas áreas mais quentes, secas e continentais do norte e centro do país, alcançado os 800 m de altitude (raramente os 1000 m).
Floração: Abril – Maio
Distribuição: Região Mediterrânica até N do Irão. Distribui-se pelo centro e este da Península Ibérica, assim como pelas ilhas Baleares. Em Portugal continental ocorre no interior norte e centro do território.

18. LOUREIRO – Laurus nobilis

Família: Lauraceae
Morfologia: Arbusto perenifólio, por vezes pequena árvore com 5-10 m de altura, de tronco direito e copa densa. Folhas com 6-15 x 2-5 cm, alternas, simples, lanceola- das, coriáceas, verde-escuras e lustrosas na página superior, mais pálidas na inferior, com pecíolo até 1 cm de comprimento e margem ondulada; muito aromáticas quando esmagadas. Flores pequenas, em ramalhetes, masculinas e femininas separadas e em plantas diferentes (espécie dióica), com um invólucro de 4 peças petalóides branco-amareladas; as masculinas com 8-12 estames e as femininas com um ovário central esverdeado.
Fruto: Baga drupácea, ovóide, com 1-1,5 cm de comprimento, semelhante a uma azeitona, negra quando madura.
Habitat/ Ecologia: Matagais, bosques e galerias ripícolas, em vertentes sombrias ou no fundo de barrancos húmidos, sobre solos frescos. Requer clima ameno, sem secura estival ou geadas prolongadas.
Época de Floração: Fevereiro – Abril
Distribuição: Região Mediterrânica
Utilização: O loureiro é uma relíquia da Laurissilva (floresta húmida subtropical) que cobria grande parte da Bacia do Mediterrâneo, quando o clima da região era mais húmido e ameno. É uma árvore altamente resistente a pragas e doenças, frequentemente cultivada como planta condimentar e ornamental, que suporta bem a poda. Símbolo da vitória, o loureiro era utilizado, na antiguidade clássica grega e romana, para coroar os vencedores das batalhas, os imperadores e os poetas mais destacados. Na cultura bíblica o louro é um símbolo da prosperidade e da fama e na tradição cristã simboliza a ressurreição de Cristo. A palavra laureado, ainda hoje utilizada para atribuir um prémio ou distinguir uma personalidade, tem origem no género Laurus.

19. LOENDRO – Nerium oleander

Família: Cupressaceae
Morfologia: Arbusto perenifólio, com 2-4 m de altura e muitos rebentos de raiz, formando uma copa ampla. Folhas com 6-15 x 1,2-2,5 cm, em grupos de 3 por cada nó, simples, lanceolado-lineares, agudas, coriáceas, curtamente pecioladas, margem inteira, sem pelos e com a nervura principal saliente. Flores com 3-4 cm de diâmetro, com corola rosada, menos vezes branca, com 5 pétalas unidas na base e 5 escamas franjadas, em ramalhetes terminais.
Fruto: eco com 8-16 X 0,5-1 cm (bifolículo), ereto, castanho-avermelhado, abrindo na maturação por uma fenda ventral; sementes pilosas, com um tufo de pelos acetinados.
Habitat/ Ecologia: Margens de rios, ribeiras e leitos cascalhentos de ribeiros com grande estiagem.
Floração: Maio – Setembro
Distribuição: Região Mediterrânica; eventualmente naturalizado noutras regiões.
Utilizações: Cultivada como ornamental, atingindo por vezes dimensões e estrutura de árvore. Planta tóxica para humanos e herbívoros domésticos.

20. SAMOUCO – Myrica faya

Família: Myricaceae
Morfologia: Pequena árvore de folha persistente, com crescimento rápido; alcança 8 a 10 m, que nos Açores chega a atingir 20 m de altura ou mais, frequentemente tem porte arbustivo; possui copa densa e ovóide, sendo o verde-escuro a cor dominante do conjunto; tronco curto, geralmente muito ramificado desde a base, algo irregular e grosso, ritidoma acinzentado e rugoso; ramos castanhos e nodosos.
Fruto: Drupas dispostas em torno do ráquis de 5 a 8 mm de diâmetro que resultam da união de 3 a 4 flores femininas. Frutos comestíveis. Fim de Agosto a inicio de Outubro.
Habitat/ Ecologia: Árvore de plena luz ou de meia sombra que requer clima suave e humidade atmosférica sem geadas prolongadas, intolerante ao frio intenso, não vai além dos 700 m de altitude, atingindo 1500 m ou mais nas Canárias. Existe em todas as ilhas atlânticas, onde se encontra frequentemente na vegetação costeira, matagais termófilos e em bosques de laurissilva de média altitude, em dunas, ou no sobcoberto de pinhais da faixa hiper-atlântica do continente. Pouco exigente quanto ao tipo de solo, desenvolve-se em terrenos vulcânicos nas ilhas, arenosos ou derivados, contendo matéria orgânica, no continente. Longevidade superior a 100 anos.
Época de Floração: Maio – Junho
Distribuição: Endemismo dos arquipélagos dos Açores, Canárias e Madeira. Existe também na faixa costeira continental da Beira Litoral ao Algarve, (vários autores consideram que o número crescente de evidências indicam que o samouco é uma espécie indígena no continente e não naturalizada).
Utilização: Os seus frutos que se parecem com amoras, em mais pequeno, são comestíveis. Outrora os primeiros habitantes das Canárias, os guanches, utilizavam os frutos secos para fabricar farinha. Hoje em dia ainda se utiliza a dita farinha, o gofio. Já nos Açores, aproveita-se esta fruta frequentemente adstringente para fazer compotas.

21. MURTA – Myrtus communis

Família: Myrtaceae
Morfologia: Arbusto aromático perenifólio de 1 a 5 m de altura com caule erecto muito ramificado desde a base. Copa irregular, frondosa, com ramos ascendentes, numerosos e densos. Rebentos do ano anterior pubescente-glandulosos, tornam-se depois glabros. Um ou vários troncos com ritidoma castanho-avermelhado, acabando por se tornar acinzentado e que ao escamar com a idade, revela a cor ruivacenta da casca. Forma naturalmente moitas quase impenetráveis.
Fruto: baga pouco carnuda, elipsóide a quase globosa, coroada por duas sépalas persistentes, sem pêlos, negro-azulada e pruinosa até à maturidade. As numerosas sementes são reniformes, rugosas e de cor castanho-esbranquiçado. Fruto comestível que amadurece a partir de finais de Agosto.
Habitat/ Ecologia: Arbusto de plena luz ou de meia-sombra; aprecia os climas quentes e as terras pobres em matéria orgânica; a murta tolera todo o tipo de substrato, inclusive os pobres em calcário, desde que secos e bem drenados, mas com alguma humidade. Suporta ventos marítimos e ocasionalmente temperaturas negativas até –9°C; no entanto, o gelo queima os rebentos do ano a partir de –6°C. Ocorre em matos e matagais xerofíticos, em orlas ou sob coberto de bosques e povoamentos florestais abertos, sebes e charnecas; por vezes ripícola. Raramente excede os 500 m de altitude. Planta mediterrânica de grande longevidade, podendo viver até 300 anos. Tem crescimento algo rápido nos primeiros anos de vida, mais lento depois.
Floração: Abril/Maio – Agosto
Distribuição: Nativo do sudoeste da Europa e do Norte de África. Mais amplamente é originária da bacia do Mediterrâneo, onde se encontra com frequência nas zonas costeiras europeias e norte-africanas. Em Portugal: comum no centro e sul do País, sendo mais raro a norte do rio Mondego, excepto o vale do Douro e seus afluentes (Terra Quente Trasmontana). Na restante Península Ibérica, encontramos a murta no sudoeste e litoral mediterrânico.
Utilizações: A madeira da murta, apesar de ter pequenas dimensões, é considerada como uma madeira nobre. Possui um grão fino, é dura e elástica. Características que a tornam muito apreciado em embutidos, tornearia e marcenaria. Com ela fabricam-se pequenos objectos como bengalas, cabos de ferramentas e partes de móveis de valor.

22. OLIVEIRA – Olea europaea var. europaea

Família: Oleaceae
Morfologia: Árvore perenifólia de porte médio, com 4 a 8 m de altura, conforme a cultivar e até 15 m de altura quando não podada. Tem crescimento lento. Apresenta uma copa ampla e redonda. Folhas: opostas e entrecruzadas, simples, inteiras. Têm consistência coriácea, rígidas, verde-acinzentadas, brilhantes e glabras por cima, cinzento-esbranquiçadas e densamente escamulosas por baixo, onde a nervura central sobressai e as secundárias são pouco aparentes. Flores: as inflorescências desenvolvem-se nas axilas das folhas dos ramos do ano anterior. Cálice pequeno de forma tubular, corola branca, com 4 pétalas estreladas e soldadas na base.
Fruto: Drupa oleaginosa, carnuda, elipsóide a subglobosa, verde-brilhante primeiro, demora cerca de um ano a amadurecer; torna-se depois negra, negro-roxeada, ebúrnea ou, raramente branco-marfim. Cada azeitona contém um único caroço elipsóide, castanho. Os frutos (azeitona) chegam a maturação em Setembro e Outubro.
Habitat/ Ecologia: Exigências ecológicas muito semelhantes às do Zambujeiro. É uma árvore de plena luz, característica do clima mediterrânico com grande resistência à seca e ao calor. Desenvolve-se em encostas e planícies soalheiras. Aceita todo o tipo de substrato, inclusive os pobres e pedregosos, mas prefere os básicos e ricos em nutrientes como os argilosos profundos; a partir da raiz principal desenvolve um enraizamento lateral, muito ramificado, embora pouco profundo. Não tolera nem a humidade excessiva nem as temperaturas baixas. É cultivada até cerca de 600 metros de altitude. Possui uma grande longevidade, podendo viver 2000 anos e mais.
Época de Floração: Abril – Junho
Distribuição: Cultivada em toda a zona mediterrânica da Península Ibérica ao Médio Oriente e quase todo o norte de África, com particular destaque para Marrocos, Argélia e Tunísia. Em Portugal: no continente, a oliveira é tradicionalmente cultivada no centro e no Sul, assim como no vale do Douro.
Utilização: A madeira da oliveira é dura e compacta com veios muito finos. Quando polida adquire um bonito brilho. Presta-se de forma notável para a marcenaria, tornearia e ornamentos esculpidos, ou esculturas. É igualmente usada na fabricação de pequenos utensílios domésticos, como pratos, travessas e outros objectos do quotidiano. Olivicultura.
Propagação sobretudo por via vegetativa, por enxertia, por estaca semilenhosa, chantão ou vergôntea. A plantação costuma ser feita no fim do outono, ou início da primavera). A oliveira também renova bem pelo cepo. É igualmente possível propagá-la por semente (caroço que deverá primeiro fender delicadamente), sem ter certeza de que a nova planta possua as mesmas qualidades que os genitores.

23. ZAMBUJEIRO – Olea europaea var. sylvestris

Família: Oleaceae
Morfologia: Árvore perenifólia de porte médio, com 5 a 10 m de altura. Tem crescimento lento. Tronco curto e grosso com ramificação baixa, por vezes tortuoso, liso e pardo acinzentado nos primeiros anos, tomando-se pardo amarelado ligeiramente rugoso e depois fendilhado; copa ampla, densa, irregular a esférica. Folhas de cor verde-acinzentado escuro brilhante na página superior e branco-prateado na inferior, cor devida a uma densa cobertura escamosa, de onde a nervura principal sobressai. Flores: flores regulares, hermafroditas; aromáticas. Cálice pequeno, corola branca, com 4 pétalas estreladas e soldadas na base.
Fruto: Drupas, (os zambujinhos), pequenas, elipsóides, verde primeiro e negro brilhante quando maduras no Outono – de Outubro a Dezembro. Cada zambujinho contém um único caroço, castanho, liso, sem rugosidade. Os frutos são espalhados por várias espécies de animais, principalmente pássaros: estorninhos, tordos e pegas. Frutifica a partir de ± 10 anos.
Habitat/ Ecologia: Arbusto ou árvore de plena luz, heliófila e característica do clima mediterrânico com grande resistência à seca e ao calor. Desenvolve-se em encostas soalheiras, matos altos, matagais secos e no estrato arbóreo das florestas mediterrânicas, constituindo bosques, os zambujais. Aceita todo o tipo de substrato, inclusive os pobres e pedregosos, mas prefere os básicos e ricos em nutrientes como os argilosos profundos; possui um enraizamento muito ramificado. Não tolera nem a humidade excessiva nem as temperaturas baixas, morre a partir das mínimas negativas de 7-10o C. Ocorre do nível do mar até 900 metros. Possui uma grande longevidade, podendo viver 2000 anos e mais.
Época de Floração: Março – Junho
Distribuição: Espontâneo em toda a zona mediterrânica da Península Ibérica e restante região do Mediterrâneo até ao Médio Oriente. Nativo em Portugal, onde ocorre no vale do Douro, Centro, (excepto zonas montanhosas) e Sul. Desenvolve-se em locais ensolarados, solos calcários, como na serra da Arrábida, montados de sobro e de azinho, matos e matagais secos, terras pobres e ou pedregosas, sem interesse para a agricultura ou abandonadas por esta. Forma por vezes, se o homem o deixar, bosquetes e bosques: os zambujais.
Utilização: A sua madeira, homogénea, compacta, pesada e de grão fino, possui elevada resistência. Colorida de ocre amarelo, por vezes avermelhada ou esverdeada, com veios irregulares e manchada de castanho ou preto acastanhado.

24. ADERNO-DAS-FOLHAS-ESTREITAS – Phillyrea angustifolia

Família: Oleaceae
Morfologia: Arbusto perenifólio, com 2-3 m de altura, com ramos longos e flexíveis. Folhas com 3-8 X 0,3-1,5 cm, opostas, simples, coriáceas, geralmente inteiras, com pecíolo curto. Flores muito pequenas, esbranquiçadas, com 4 pétalas estreladas e soldadas na base, em pequenos cachos na axila das folhas.
Fruto: Drupa globosa, com 5-8 mm, terminada em bico, anegrada na maturação.
Habitat/ Ecologia: Matos, matagais e terrenos incultos. Montados de sobro e azinho e matagais secos, em locais ensolarados com solos pobres e pedregosos.
Época de Floração: Março – Maio
Distribuição: Oeste e Centro Região Mediterrânica
Utilização: Planta com boa madeira para queimar em fornos por produzir uma chama muito viva.

25. ADERNO-DAS-FOLHAS-LARGAS – Phillyrea latifolia

Família: Oleaceae
Morfologia: Arbusto ou pequena árvore de folha perene, habitualmente, com até 3 a 8 metros de altura, podendo chegar aos 15 m e mais. Possui copa densa, arredondada. Folhas opostas, coriáceas, simples, quase sésseis, elíptico-oblongas a ovado-lanceoladas. Numerosas pequenas flores branco-esverdeadas, cheirosas, hermafroditas, agrupadas em inflorescências na axila das folhas do ano anterior. Cálice campaniforme, curto e amarelado.
Fruto: Drupa globosa ou ovóide, creme primeiro, depois avermelhada e negro-azulada quando madura, com uma semente, raramente duas, esférica, rugosa e acastanhada. Maturação dos frutos a partir de Setembro e Outubro. Os frutos que não são comestíveis para os humanos, são muito apreciados por pássaros como o pisco-de-peito-ruivo e a toutinegra-de-barrete-preto, que participam na dispersão do aderno.
Habitat/ Ecologia: Plena luz, ocorre em bosques mediterrânicos, matos altos de substituição, sebes e enCostas. Aprecia os Verões quentes e os Invernos suaves sem fortes geadas, embora lhe seja reconhecida uma certa rusticidade ao suportar, pontualmente, temperaturas negativas; tolera também exposição marítima. Aceita todo o tipo de substrato, inclusivo os pobres em matéria orgânica, desde que contenham alguma humidade. Possui crescimento lento, cerca de 2 m em 10 anos. Vegeta desde o nível do mar até 600 m no nosso País, mas cresce até 800 m e mais noutros territórios da sua área natural. Longevidade superior a 400 anos.
Época de Floração: Janeiro – Abril
Distribuição: Distribui-se pelo Sul da Europa – região mediterrânica: Grécia, Itália e Ilhas, França, Espanha, Baleares e Portugal, Noroeste de África: Argélia, Tunísia e Marrocos, e Sudoeste Asiático: Turquia, Síria, Líbano e Israel. No território português é frequente na Beira Litoral, Estremadura, Alentejo Litoral e Al- garve, rara a ausente nas províncias do Norte, do interior, fora o Vale do Douro, e zonas montanhosas.
Utilização: Possui madeira dura, pesada, de grão muito compacto, de cor clara, indo do branco ao amarelado; tem cheiro desagradável. Difícil de trabalhar serviu aos segeiros na construção de carroças e carriolas. Fornece combustível e carvão de qualidade. Outrora, fora uma planta muito utilizada como ornamental nos jardins lusos e porque suporta bem a poda; mas durante o século XIX e XX a importação de perenifólias oriundas do Japão e da China eclipsou-a, no entanto, desde algumas décadas que tem vindo a recuperar o seu valor ornamental. Resistente à poluição urbana.

26. PINHEIRO-BRAVO – Pinus pinaster

Família: Pinaceae
Morfologia: Árvore conífera (sementes numa pinha ou cone), perenifólia, resinosa, com 20-25 m de altura, de tronco direito, com casca castanho-avermelhada, profundamente fendida e ramos arqueados ou quase horizontais, dispostos em verticilos; copa piramidal com 6-9 m de diâmetro. Folhas aciculares (em forma agulha), verde-escuras, rígidas e pontiagudas, aos pares na axila de uma folha rudimentar escamiforme, sobre um raminho muito curto (braquiblasto), provido de uma bainha membranosa que as envolve na base. Flores unissexuais, verde-acastanhadas, em inflorescências, masculinas e femininas na mesma planta (espécie monóica). Inflorescências masculinas em forma de espiga, agrupadas nos ramos do ano; as femininas dispostas numa estrutura ovoide, com escamas lenhosas, de cor pardo-avermelhada, denominada pinha ou cone.
Fruto: Pinha ovado-cónica, com escamas que possuem um escudo terminado em pirâmide mais ou menos elevada, castanha brilhante quando madura; cada escama suporta 2 pinhões com 0,6-0,8 cm de comprimento, providos de uma longa asa (penisco). A pinha amadurece no final do verão, ou no outono, do segundo ano e só liberta os pinhões na primavera ou verão do terceiro ano.
Habitat/ Ecologia: Prefere locais ensolarados com solos ácidos, principalmente arenosos e perto do litoral, mas também é frequente em zonas do interior sobre xistos; é pouco exigente em relação ao tipo de solo que pode ser bastante pobre e resiste bem à secura e às geadas. Muito vulgar em solos não calcários, sobretudo no litoral (solo arenoso e leve). Muito utilizado na arborização das dunas.
Época de Floração: Março
Distribuição: Espécie nativa da região Mediterrânica Ocidental e Norte de África.
Utilização: É o pinheiro ibérico com crescimento mais rápido e a principal espécie florestal em Portugal continental, sendo muito utilizado em repovoamentos florestais. Produz madeira de pouca qualidade, pelo que, o seu aproveitamento é principalmente resineiro. A casca, rica em taninos, é usada na indústria dos curtumes. As pinhas ardem facilmente sem se apagar e, por isso, muito usadas para acender lareiras.

27. PINHEIRO-MANSO – Pinus pinea

Família: Pinaceae
Morfologia: Árvore conífera (sementes numa pinha ou cone), perenifólia, resinosa,com 15-25 m de altura, de tronco direito, com casca castanho-acinzentada, profundamente fendida, destacável em placas e ramos robustos; copa com 8-15 m de diâmetro, piramidal nas plantas jovens, mas abobadando com a idade. Folhas aciculares (em forma agulha, rígidas e pontiagudas, aos pares na axila de uma folha rudimentar escamiforme, sobre um raminho muito curto (braquiblasto), provido de uma bainha membranosa que as envolve na base. Flores unissexuais, amarelas, em inflorescências, masculinas e femininas na mesma planta (espécie monóica).
Fruto: pinha ovado-globosa, subséssil, com escamas castanho-avermelhadas e lustrosas, que possuem um escudo largo e romboidal, proeminente; cada escama suporta 2 pinhões com 1,5-2 cm de comprimento, providos de uma asa curta, que se solta com facilidade. A pinha amadurece na primavera do terceiro ano e só liberta os pinhões na primavera do quarto ano.
Habitat/ Ecologia: Prefere locais ensolarados, com solos frescos e profundos, principalmente os ácidos, soltos e arenoso, perto do litoral; não suporta geadas fortes e continuadas.
Época de Floração: Março – Maio
Distribuição: Mediterrâneo oriental
Utilização: Apesar de também ser cultivado pela madeira, difícil de trabalhar mas resistente à humidade, o pinheiro-manso é cultivado essencialmente pelo elevado valor comercial da sua semente – o pinhão comestível. A sua resina tem as mesmas utilizações que a do pinheiro-bravo, mas a exploração é efetuada em muito menor escala. Por suportar bem a salinidade do mar e os ventos, tem sido bastante utilizado na fixação de dunas. Visto ter porte elegante e uma copa que projeta uma sombra densa, é também uma árvore muito apreciada como ornamental. Apresenta boa resistência ao fogo, por possuir casca grossa e copa afastada do solo.
Propagação por semente: O melhor é colocar a semente, logo que madura, no local definitivo. No entanto, fazer estratificação durante 6 semanas a 4°C pode ajudar na germinação de sementes que estejam armazenadas. As plantas têm um sistema radicular fraco e desenvolver-se-ão melhor quanto mais cedo forem colocadas no seu local definitivo. Devem ser plantadas nas suas posições finais ainda pequenas, até 90 cm, mas quanto mais pequenas melhor. Por estaca: este método só resulta a partir de árvores jovens (até 10 anos). Contudo, o crescimento a partir deste método revela-se lento.

28. PISTACHEIRO DO ATLAS – Pistacia atlantica

Família: Pistaciaceae
Morfologia: Árvore caducifólia que cresce até 20m. Crescimento lento. Espécie dióica, as flores individuais são masculinas ou femininas. As flores são discretas e dispostas em inflorescência em panícula. A inflorescencência masculina é compacta, enquanto a inflorescência feminina é cada vez mais larga.
Fruto: Arredondado, com 5-7mm de diâmetro, o fruto azul escuro é estéril e contém uma semente, o vermelho é infértil. Os pássaros são atraídos pelo fruto vermelho, mas identificam o fruto azul e comem-no para depois espalhar as suas sementes.
Habitat/ Ecologia: Florestas abertas em encostas rochosas áridas na orla do deserto, florestas abertas e orlas de floresta mediterânica na região do med- iterrâneo e nas gargantas frias do deserto. Solos leves (arenosos) e médios (argilosos) e prefere solos bem drenados. Ph adequado: solos ácidos, neutros e básicos (alcalinos). Não pode crescer na sombra. Prefere solo seco ou húmido. Desde o nível do mar até 1500m na Turquia.
Época de Floração: Primavera
Distribuição: Desde as Montanhas Atlas em Marrocos – da qual tem o seu nome – até à Ásia Central.
Utilização: A árvore é frequentemente usada como porta-enxerto para a Pistacia vera, que produz a noz de pistache. A resina e os óleos dos frutos da árvore são comestíveis e usados na medicina tradicional, em perfumes e na fabricação de álcool. A árvore também é plantada como ornamental em parques e ao longo de estradas perto do Mar Negro e em regiões quentes da América do Norte. Além disso, a árvore é usada para reflorestamento e para evitar a erosão do solo em encostas íngremes.

29. AROEIRA – Pistacia lentiscus

Família: Anacardiaceae
Morfologia: Arbusto perenifólio, com 1-2 m de altura, por vezes, pequena árvore até 6-7 m. Folhas alternas, compostas, com um eixo alado e folíolos, em número par (até 12), com 1 a 5 cm, inteiros, elípticos, espessos e coriáceos. Flores muito pequenas, unissexuais, esverdeadas ou avermelhadas, sem pétalas, em espigas curtas.
Fruto: Drupa globosa, com cerca de 4 mm, avermelhada, mas anegrando na maturação.
Habitat/ Ecologia: Matos e montados de azinho; resiste mal a geadas fortes. Componente estrutural importante em diversos tipos de matos e matagais esclerófilos, principalmente carrascais. Acompanhante em bosques perenifólios, por vezes também com porte arbóreo. Com alguma preferência por solos calcários.
Época de Floração: Março – Maio
Distribuição: Região Mediterrânica e Macaronésia
Utilização: Mediante incisão, os seus troncos e ramos libertam uma resina aromática – a mástique – utilizado na preparação de cimentos dentários, em odontologia.

30. CORNALHEIRA – Pistacia terebinthus

Família: Anacardiaceae
Morfologia: Arbusto ou pequena árvore de folha caduca geralmente inferior a 6 m, podendo atingir 10 m de altura; possui copa larga, aberta, arredondada ou irregular, densamente ramificada desde a base. Raminhos esverdeados ou avermelhados resiníferos, com lenticelas claras; ramos cinzento-acastanhados; um ou vários troncos curtos, cobertos por ritidoma acinzentado e glabro. Folhas alternas, com a página superior verde-escuro e brilhante e a inferior mate e verde-pálido, mas avermelhadas no início da folheação. No Outono ficam amarelo intenso ou vermelho, antes de caírem. Flores sem pétalas, púrpuras ou acastanhadas.
Fruto: Drupa obovóide, do tamanho de uma ervilha, pouco carnuda; agrupadas em cachos; coralina no início, depois cinza-esverdeada e anegrada na maturação que vai de Agosto a Outubro; cada drupa contém uma única semente achatada. As drupas são comestíveis, mas sem grande interesse gustativo.
Habitat/ Ecologia: Indiferente ao tipo de solo com grande adaptabilidade a substratos pobres, secos, pedregosos, cascalhentos, quer estes sejam básicos ou ácidos. Espécie da flora mediterrânica, adaptada à seca e ao calor estival; procura a plena exposição solar, mas aceita a sombra leve. Ocorre em bosques e matos mediterrânicos abertos, matagais, encostas secas e rochosas; prefere altitudes inferiores a 600 m (podendo subir até aos 1500 metros); suporta bem as geadas e o frio, até -10 °C. Arbusto de cresci- mento lento, com longevidade superior a 100 anos.
Época de Floração: Março – Maio. Atinge maturidade, por volta dos 10 anos.
Distribuição: Arbusto nativo da bacia do Mediterrâneo: norte de África, Próximo Oriente e Europa mediterrânica. Presente em quase toda a P. Ibérica, exceto nas províncias do noroeste. Em Portugal ocorre em três manchas descontínuas: distritos interiores dos vales do Douro e do Tejo e quase todo o Algarve.
Utilização: A madeira dura, considerada de qualidade excepcional, tem um cerne avermelhado que pode adquirir um bonito polido.

31. CHOUPO-BRANCO – Populus alba

Família: Salicaceae
Morfologia: Árvore de folha caduca, de crescimento rápido, que pode alcançar 25 m de altura. Possui um tronco branco com fissuras castanhas em forma de losango as quais, com a idade das árvores tendem a aumentar. As folhas, de 5 lóbulos desiguais, são verdes na página superior e com indumento branco na pá- gina inferior, com pecíolo longo. As folhas mais jovens apresentam indumento branco também na página superior. A floração surge no início da Primavera, quando a árvore quase ainda não tem folhas. A espécie é dióica. Os amentilhos masculinos têm as brácteas pelosas maiores que as flores. Os estames e as anteras são vermelhos quando surgem, tornando-se amarelas. Em plena Primavera há uma libertação de tufos de pilosidades brancas que se espalham pelo ar criando um efeito surpreendente.
Habitat/ Ecologia: Ripícola. Os choupos têm um temperamento de luz, não resistindo à sombra nem à competição. São espécies intimamente associadas à água freática, em ambiente natural. Muito embora exista esta necessidade de ligação constante com a água, não toleram o encharcamento prolongado dos primeiros 50 cm de solo, nos quais se desenvolvem grande parte das suas raízes. Intolerantes a solos hidromórficos, distingue-se das outras espécies pela sua grande resistência aos ventos que transportam sal. Necessitam no solo de uma certa proporção de areia para garantir arejamento e uma certa proporção de argila que indica alguma fertilidade. A regra é plantarem-se os choupos a espaçamento definitivo devido à sua grande exigência em luz, sendo apropriados os compassos de 5 x 5 ou 6 x 6 m.
Época de Floração: Janeiro – Março
Distribuição: C e S Europa, W Ásia, Região Mediterrânica; introduzida na Macaronésia e América N. Essencialmente Hemisfério Norte. Em Portugal encontra-se um pouco por toda a parte, nomeadamente associada a ribeiras e zonas mais húmidas.
Utilização: A madeira de choupo é uma madeira mole, fácil de trabalhar, embora não seja muito resistente. A sua baixa densidade e ausência de odor (com exceção do Populus alba) faz dela apta para caixotaria, paletas, embalagens ligeiras, fabrico de móveis, construção, carpintarias, entre outras utilizações. Importa registar que o valor atribuído à madeira de choupo está indissociavelmente ligado às aplicações a que se destina, e por sua vez, tal depende fundamentalmente do diâmetro. Utiliza-se para desenrolamento (madeiras sem nós, diâmetros com mais de 30 cm), serração (diâmetros entre 20 a 30 cm), industria de celulose (geralmente diâmetros menores de 20 cm), fabrico de aglomerados (diâmetros menores de 10 cm) e construção. A lenha do choupo não tem grande interesse, devido à sua baixa densidade uma vez seca.

32. CHOUPO-PRETO – Populus nigra

Família: Salicaceae
Morfologia: Árvore caducifólia com 15-20 m de altura, de copa piramidal, oval ou colunar, com 8-15 m de diâmetro e de ramificação abundante; ritidoma cinzento e liso nos exemplares jovens, fissurado longitudinalmente e mais acastanhado nos exemplares adultos, os quais geralmente têm bossas proeminentes. Folhas simples, alternas, deltóides a ovadas, pontiagudas, miudamente recortadas; de um verde brilhante na página superior, mas tornando-se amarelas no outono. Flores pequenas, agrupadas em amentilhos unissexuais pendentes, os masculinos e os femininos em plantas difeentes (espécie dióica). Amentilhos masculinos cinzentos e sésseis, dos quais sobressaem os estames de cor avermelhada; os femininos mais ou menos pedunculados, amarelo-esverdeados. A floração é anterior à formação das folhas.
Fruto: uma cápsula com 7-9 mm, elipsóide, com sementes que possuem uma penugem branca, con- hecida por lã seminal.
Habitat/ Ecologia: Ruderal e ripícola; margens de linhas de água e em locais bem iluminados, com solos profundos, húmidos e frescos. Semelhante ao Populus alba.
Época de Floração: Fevereiro – Abril
Distribuição: Europa, Ásia e África
Utilização: Espécie cultivada como ornamental e fugida de cultura, um pouco por todo o país; é frequentemente afetada por doenças antes dos 50 anos. Muito utilizada em arruamentos, inunda as cidades com uma chuva de “algodão” das suas sementes, na primavera. Desenvolve muitas raízes superficiais, o que provoca irregularidades nos pavimentos; a sua utilização perto de edifícios e sistemas de drenagem deve ser evitada, devido ao seu crescimento rápido e ao grande desenvolvimento das raízes. A madeira leve, de cor clara é utilizada para o fabrico de pasta de papel, palitos, fósforos, brinquedos e outos objetos de carpintaria ligeira; foi também muito utilizada na construção de vagões de comboio. Em situações de escassez, a parte interior da casca, depois de seca e moída, era adicionada à farinha para fazer pão e a ramagem como forragem de inverno para os animais.
É uma importante fonte de alimento para várias espécies de Lepidoptera.
Propagação por semente, estaca ou in vitro.

33. ROMÃZEIRA – Punica granatum

Família: Lythraceae/Punicaceae
Morfologia: Tronco acinzentado e ramos novos avermelhados. Os ramos podem ter espinhos. Folha caduca, opostas, inteiras, verde lustroso. Flores vermelhas alaranjadas, simples, herma- froditas.
Fruto: Esférico, de 5 a 12 cm, com casca coriácea e grossa, amarelada, acastanhada e avermelhada, interior composto de muitas sementes agrupadas e envolvidas por um tegumento polposo avermelhado, comestível. No Outono.
Habitat/ Ecologia: Ruderal, orla das matas. Pouco exigente quanto ao tipo de solo, mas prefere os profundos. Tolerante ao sol. Tolera a seca, o encharcamento e a salinidade.
Época de Floração: Maio a Setembro
Distribuição: Subespontânea na região mediterrânica, América do Sul, África do Sul e Austrália, desde o nível do mar até aos 2700m de altitude.
Utilização: As propriedades anti-oxidantes das romãs são 3 vezes superiores às do vinho e às do chá verde. Do tronco da Romãzeira pode-se extrair uma substância que mata os caracóis que transmitem uma doença ao gado (Distomatose), transmissível aos humanos.
Propagação por estaca e semente.

34. ABRUNHEIRO-BRAVO – Prunus spinosa

Família: Salicaceae
Morfologia: Arbusto caducifólio de 1 a 4 m, por vezes 6 m, com vários caules anegrados, de forma irregular, com ramagem densa e intrincada, ramos divaricados cobertos de espinhos e raminhos patentes pardo-acinzentados em ângulo recto, curtos, geralmente terminados por um espinho rígido. Folhas alternas, obovadas a oblogo-lanceoladas, acuminadas, com a margem finamente serrada, simples, pecioladas, verde-escuras, pubescentes e em seguida glabras, surgem depois das flores. Flores brancas, abundantes. As flores desabrocham antes das folhas, pequenas (1 a 1.5 cm), pedunculadas, solitárias ou geminadas.
Fruto: o abrunho, pequena drupa globosa a oblonga, azul-escuro ou negro-violáceo quando madura a partir de Setembro, com cerca de 1,5 a 2 cm – menor que a ameixa – coberta de pruína cerosa, com polpa esverdeada, endocarpo subgloboso e algo liso. Os abrunhos são comestíveis depois das primeiras geadas que atenuam o seu sabor adstringente e ácido-acre.
Habitat/ Ecologia: Planta de plena luz, (suporta o ensombramento, mas sofre uma forte baixa frutífera) prospera em quase todo tipo de solo, embora os prefira calcários e argilosos. Boa adaptação à seca. Tem raízes horizontais e laterais. De crescimento rápido, forma sebes e orlas de bosques, vive nas margens dos campos e caminhos, matos, baldios, ao longo das zonas ribeirinhas, coloniza as zonas perturbadas. Ocorre até altitudes de 1500 m, com boa resistência ao frio, suportando os 30°C negativos.
Época de Floração: Março – Abril
Distribuição: comum em quase toda a Europa, (excepto as zonas nórdicas), Ásia central; África do Norte. Frequente em toda a Península Ibérica sendo mais raro a sul. Em Portugal é ndígena em todo o país, mas escasso nas províncias do Sul.
Utilização: Formação de sebes naturais difíceis de penetrar. A madeira, muito dura e resistente, castanho-avermelhada frequentemente listrada de cor-de-rosa, é pouco utilizada devido ao fraco diâmetro dos caules, no entanto pode-se confeccionar cabos de ferramenta, objectos torneados, bengalas e clubes de golfe, é também utilizada em trabalhos de embutido.
Propaga-se por semente, por mergulhia, ou por rebentões de raiz (pôlas), com uma longevidade entre 40 a 80 anos, por vezes mais.

Família: Salicaceae
Morfologia: Folhas alternas, obovadas a oblogo-lanceoladas, acuminadas, com a margem finamente serrada, simples, pecioladas, verde-escuras, pubescentes e em seguida glabras, surgem depois das flores. Flores brancas, abundantes. As flores desabrocham antes das folhas, pequenas (1 a 1.5 cm), pedunculadas, solitárias ou geminadas.
Fruto: uma cápsula com 7-9 mm, elipsóide, com sementes que possuem uma penugem branca, conhecida por lã seminal.
Habitat/ Ecologia: Planta de plena luz, (suporta o ensombramento, mas sofre uma forte baixa frutífera) prospera em quase todo tipo de solo, embora os prefira calcários e argilosos. Boa adaptação à seca. Tem raízes horizontais e laterais. De crescimento rápido, forma sebes e orlas de bosques, vive nas margens dos campos e caminhos, matos, baldios, ao longo das zonas ribeirinhas, coloniza as zonas perturbadas. Ocorre até altitudes de 1500 m, com boa resistência ao frio, suportando os 30°C negativos.
Época de Floração: Março – Abril
Distribuição: comum em quase toda a Europa, (excepto as zonas nórdicas), Ásia central; África do Norte. Frequente em toda a Península Ibérica sendo mais raro a sul. Em Portugal é ndígena em todo o país, mas escasso nas províncias do Sul.
Utilização: Formação de sebes naturais difíceis de penetrar. A madeira, muito dura e resistente, castanho-avermelhada frequentemente listrada de cor-de-rosa, é pouco utilizada devido ao fraco diâmetro dos caules, no entanto pode-se confeccionar cabos de ferramenta, objectos torneados, bengalas e clubes de golfe, é também utilizada em trabalhos de embutido.
Propaga-se por semente, por mergulhia, ou por rebentões de raiz (pôlas), com uma longevidade entre 40 a 80 anos, por vezes mais.

35. PEREIRA-BRAVA – Pyrus bourgaeana

Família: Rosaceae
Morfologia: Árvore caducifólia, geralmente com 5-6 m de altura, por vezes um pouco mais, outras vezes apenas com porte arbustivo, de copa aberta e ramos espinhosos. Folhas com 2,5-4,5 X 1,0-4,0 cm, arredondadas, cordadas na base, de margem dentada, com pecíolo longo (muitas vezes mais comprido que o limbo) coriáceas e brilhantes na página superior, avermelhadas no outono. Flores numerosas, em ramalhetes na extremidade dos ramos, longamente pediceladas, com 5 pétalas brancas ou rosadas, com 8-10 mm de comprimento e numerosos estames com anteras avermelhadas.
Fruto: um pomo, em forma de pêra, com cerca de 2 cm.
Habitat/ Ecologia: Ruderal, orla das matas. Pouco exigente quanto ao tipo de solo, mas prefere os profundos. Tolerante ao sol. Tolera a seca, o encharcamento e a salinidade.

Época de Floração: Maio a Setembro
Distribuição: Subespontânea na região mediterrânica, América do Sul, África do Sul e Austrália, desde o nível do mar até aos 2700m de altitude.
Utilização: Usada como porta-enxertos para outras pomóideas. A sua madeira é apreciada, mas os frutos não são consumidos, porque a polpa é dura, devido à presença de células pétreas e de sabor muito amargo e áspero.

36. CARRASCO – Quercus coccifera

Família: Fagaceae
Morfologia: Arbusto denso de até 3 m, ramificando desde a base. Folhas: onduladas, concolores (verdes), glabras ou com tomento estrelado ou fundido-estrelado na base e face abaxial da folha, peciolo e nervuras, com 5 a 8 (máx. 9) nervuras secundárias, folhas brilhantes, espinescentes, com margem dentada. Cúpula: pequena e larga, acetabuliforme a cilíndrica; escamas roliças, pequenas e irregulares, trígonas, cuspidadas, por vezes livres ou ligeiramente fundidas na base, pugentes e erectas.
Frutos: são bolotas cilíndricas que nascem em pedúnculos curtos, com uma cúpula com escamas triangulares. Amadurecem e disseminam-se em setembro e outubro.
Habitat/ Ecologia: Montados de sobro e azinho e matagais altos, em locais secos e ensolarados com solos secos e pedregosos. Sobre calcários forma geralmente matos ou matagais bastante densos (carrascais) onde é geralmente dominante. Nas encostas e cumes, formando carvalhais da zona quente e húmida. Dá-se em zonas secas expostas ao sol, sendo mais xerófila que a azinheira pelo que vegeta muitas vezes em zonas onde a azinheira se degrada por efeitos do fogo ou cortes excessivos. Aceita precipitações entre 200 e 1500 mm, se bem que é mais frequente em estações com valores entre 400 e 800 mm.
Época de Floração: Março – Maio
Distribuição: Região Mediterrânica Ocidental. Ocorre no centro e sul de Portugal continental, exceptuando em altitudes acima dos 1000 m. Existem algumas populações isoladas na parte mediterrânica do vale do rio Douro.
Utilização: A madeira de carrasco assemelha-se à de azinheira, sendo de boa qualidade, muito dura e pesada, embora com dimensões que limitam o seu uso à obtenção de lenhas e carvão. Estes produtos são de boa qualidade. A casca é rica em taninos. As bolotas podem ser utilizadas para alimentação animal, embora sejam muito amargas e adstringentes. Têm importância cinegética. É uma essência que pode conferir grande proteção a terrenos empobrecidos, devendo evitar-se, no entanto, que os fogos repetidos ou o pastoreio intensivo provoquem a sua degeneração.

37. CARVALHO-PORTUGUÊS ou CARVALHO CERQUINHO – Quercus faginea subsp. broteroi

Família: Fagaceae
Morfologia: Árvore de folha marcescente – as folhas secam na copa e permanecem até à primavera. Pode alcançar os 20m de altura, tem uma copa arredondada com ramificações e folhagem abundante e o tronco é rugoso com casca acinzentada ou parda-acinzentada. As folhas são simples, alternas, oblongas a obovadas com estípulas largas e estreitas podendo medir entre 2 a 11cm. A margem tem recortes dentados ou ovulados, pouco acentuados. A página superior da folha é lisa e a inferior apresenta longos pelos estrelados.
As flores masculinas estão dispostas em grupos sobre largos amentilhos de 4-8cm, pendurados mas pouco firmes. As femininas são solitárias, estando dentro de uma cúpula.
Frutos: são bolotas cilíndricas que nascem em pedúnculos curtos, com uma cúpula com escamas triangulares. Amadurecem e disseminam-se em setembro e outubro.
Habitat/ Ecologia: O seu habitat natural são bosques marcescentes, frequentemente mistos, em todo o tipo de solos, em zonas de clima mediterrâneo, distribuindo-se desde os 0 aos 1200m de altitude.
Época de Floração: Março – Maio
Distribuição: Originário da Península Ibérica, sudeste de França, Marrocos e Argélia.
Utilização: A utilização de carvalho-cerquinho para a construção de naus e caravelas durante a época dos descobrimentos levou ao seu decréscimo. A sua madeira, de alta qualidade, é ainda utilizada para a construção e a lenha e para curtir peles. Os bosques bem conservados de carvalho-cerquinho são um habitat protegido e constituem um habitat ideal para inúmeras espécies animais caraterísticas das regiões mediterrânicas, desde aracnídeos e insetos, até anfíbios, aves como o gaio e mamíferos como veados ou o lince-ibérico. Como árvore individual é muito abundante em todo o centro e sul de Portugal.

38. CARVALHO-NEGRAL – Quercus pyrenaica

Família: Fagaceae
Morfologia: Árvore até 30 m de altura, de copa irregular, por vezes reduzida a arbusto estolonífero quando em condições ambientais adversas (e.g. altitudes elevadas, junto ao mar) e por rebentamen- to de toiça; ritidoma cinzento-acastanhado e gretada. Muito ramificada, com ramos jovens e folhas densamente feltro-tomentosos. Folhas caducas a marcescentes (dependendo das estações ecológicas), de margem pinatífida a pinatipartida, mais raramente lobadas. Flores, masculinas em amentilhos (5-10 cm) e as femininas, solitárias ou em grupos de 2-3.
Fruto: glande (bolota) de cúpula acinzentada-vilosa, 15-45 x 10-25 mm, com pedúnculo até 40 (50) mm.
Habitat/ Ecologia: Espécie calcífuga, de carácter atlântico, que aprecia substratos siliciosos e húmidos, de textura arenosa, graníticos ou xistosos. Ocorre maioritariamente em solos ácidos, suportando solos de elevado grau de trofia, acima de ombrótipo sub-húmido superior. Suporta a seca estival, em territórios mais continentais e interiores, suportando a sua distribuição face aos carvalhais de Quercus robur, onde surge como menor frequência relativa e com quem hibrida frequentemente. Em estações mais secas, tipicamente mediterrânicas ou térmicas, apresenta comportamento marcescente, sendo caducifólio em áreas mais chuvosas ou com maior proximidade à toalha freática. Tem boa adaptação à altitude, até 1800 m, suportando bem o frio, a neve e as geadas.
Época de Floração: Fevereiro-Maio
Distribuição: Em Portugal continental distribui-se praticamente por todo o território, exceptuando as áreas de ombrótipo seco a sub-húmido inferior, como o Baixo Alentejo interior e o Algarve litoral, sendo frequente no interior Norte. Ocorre a norte do Rio Douro, na região de Trás-os-Montes, Beira montanhosa, Alto Douro, nas serras de Ossa, Monfurado, Nogueira e Sintra. As populações da Serra de Monfurado (Évora e Montemor-o-Novo) e a presença esparsa da espécie nos carvalhais marcescentes das serras algarvias e do sudoeste alentejano, revestem-se de especial interesse para a conservação, uma vez que representam os limites sul de distribuição para a espécie em Portugal.

39. AZINHEIRA – Quercus rotundifolia

Família: Fagaceae
Morfologia: Árvore perenifólia, com 8-12 m de altura, por vezes, até 25 m, de copa ampla, densa e arredondada. Folhas com 1,5-5 x 1-3 cm, alternas, simples, elípticas, espessas, coriáceas, com margem lisa ou espinhosa, cobertas por um feltro acinzentado na página inferior. Flores muito pequenas, amareladas, em numerosos grupos pendentes na extremidade dos raminhos.
Fruto: uma bolota, geralmente doce, com uma cúpula em forma de dedal coberta por pequenas escamas quase planas.
Habitat/ Ecologia: Árvore mais comum do sul de Portugal. Montados e bosques com clima mediterrânico, em todo o tipo de solos. Resiste bem à secura. Em bosques e matagais perenifólios, frequentemente como dominante (azinhais). No Alentejo predominam os montados (montado de azinho). Em sítios secos, sendo mais predominante no interior do país. Indiferente edáfica.
Época de Floração: Fevereiro – Maio
Distribuição: Originária do sul da Europa, é uma árvore espontânea em quase toda a Bacia do Mediterrâneo. Espécie comum em Portugal continental, so- bretudo nas zonas mais continentais e interiores do país (mediterrânicas) e ausente no norte e centro sob influência atlântica. Espontânea ou cultivada desde a Terra-Quente transmontana até ao Algarve, com maior frequência a sul do Tejo, em bosquete (azinhal) e/ou em montado puro ou misto com Q. suber. Trata-se de uma espécie muito comum na Serra de Monfurado (Évora e Montemor-o-Novo).
Utilização: A azinheira é uma das árvores usadas em montado. O montado é um sistema agro-silvo-pastoril muito comum no Alentejo, sendo um ecossistema de origem humana que reúne pastorícia, agricultura e floresta.
Esta árvore tem estatuto de proteção pelo Decreto-Lei no.169/201 de 25 de Maio.

40. SOBREIRO – Quercus suber

Família: Fagaceae
Morfologia: Árvore perenifólia, com 10-15 m de altura, por vezes, até 20 m, de copa ampla e arredondada, por vezes, irregular, com grande produção de cortiça. Folhas com 2,5 a 10 cm x 1,2 a 6,5 cm, alternas, simples, oblongas, coriáceas, com margem inteira ou sinuosa, um pouco lustrosas na página superior e cobertas por um feltro acinzentado na página inferior. Flores muito pequenas, amareladas, em grupos peludos, com interrupções, pendentes na extremidade dos raminhos.
Fruto: uma bolota, menos doce do que a da azinheira, com uma cúpula em forma de dedal coberta por escamas de ponta curva.
Habitat/ Ecologia: Dominante em sobreirais e montados de sobro, mas também companheira noutros tipos de bosques e matas, em clima mediterrânico e também em locais com alguma influência atlântica.
Época de Floração: Março – Maio
Distribuição: Europa: região Mediterrânea Ocidental. Quadrante sudoeste da Península Ibérica.
Utilização: Extração de cortiça, após que o tronco apresenta uma col- oração vermelha escura, muito intensa. As bolotas são usadas para porcos de montanheira. O primeiro descortiçamento ocorre quando o sobreiro tem 25 anos e o tronco tenha atingido um perímetro de 70 centímetros, medidos a 1,3 metros do solo. Os descortiçamentos posteriores são feitos com um intervalo de, pelo menos, nove anos. O sobreiro foi instituído pela Assembleia da República como Árvore Nacional de Portugal, em 22 de Dezembro de 2011.

41. PIORNO-BRANCO – Retama monosperma

Família: Fagaceae
Morfologia: Arbusto ou árvore de pequeno porte de (1,5) 2-3,5 m; Tronco bastante ramificado; Folhas lineares (folíolos lanceolados), caducas, pubescentes. Flor hermafrodita, de cor branca, com estandarte de 9 e quilha muito desenvolvida.
Fruto: Vagem, de 12-16 mm, ovoide, mais ou menos globoso, glabro, com mucrão, caduco, deiscente e monospérmico (1 semente, raras vezes com 2-3).
Habitat/ Ecologia: Terrenos incultos
Época de Floração: Fevereiro – Março
Distribuição: Península Ibérica e Noroeste de África
Utilização: Utilizado na cobertura de taludes de vias rodoviárias; ocorre em dunas secundárias, onde chega a formar matais mais ou menos densos (retamais) ou sob coberto de pinhais litorais – no Sotavento Algarvio.

42. PIORNO-AMARELO – Retama sphaerocarpa

Família: Fagaceae
Morfologia: Árvore pequena ou arbusto, de 2 a 3 metros de altura, que dispõe de ramos quadrangulares com 8 a 10 ramadas que, quando a planta ainda é jovem, se revestem de uma penugem prateada sedosa. Já em adulta, por outro lado, essa penugem torna-se mais crespa e curta. As folhas dispõem de 6 a 11 folíolos de um a dois milímetros, de formato lanceolar. As inflorescências axilares do piorno-amarelo despontam solitariamente ou em grupos geminados de 8 a 17 flores.
Habitat/ Ecologia: Terrenos incultos. Em matagais abertos de substituição de azinhais. Pode formar matagais fechados (retamais). Em locais secos, colonizando solos geralmente pobres, xistosos ou graníticos e mais raramente, derivados de rochas carbonatadas.
Época de Floração: Abril – Julho
Distribuição: Península Ibérica e Noroeste de África
Utilização: Utilizado na cobertura de taludes de vias rodoviárias; ocorre em dunas secundárias, onde chega a formar matais mais ou menos densos (retamais) ou sob coberto de pinhais litorais – no Sotavento Algarvio.

43. SANGUINHO-DAS-SEBES – Rhamnus alaternus

Família: Rhamnaceae
Morfologia: Arbusto perenifólio, por vezes, pequena árvore, com 1-5 m de altura. Folhas com 2-6 cm, alternas, simples, muito coriáceas e lustrosas, sem pelos, mais pálidas na página inferior, de forma e tamanho muito variáveis. Flores unissexuais, as de cada sexo em plantas diferentes, muito pequenas e pouco vistosas, esverdeadas ou amareladas.
Fruto: globoso com 4 a 6 mm, ligeiramente carnudo e avermelhado, anegrando na maturação.
Habitat/ Ecologia: Matagais altos e desenvolvidos em ambiente de montado, sobro ou azinho, em todos os tipos de solo. Planta pouco exigente, de porte e forma muito variável, que se pode desenvolver até em fendas de rochas.
Época de Floração: Março – Abril
Distribuição: Europa, África e Ásia: Região Mediterrânica.
Utilização: Ornamental, sebes, matérias-primas (fonte de preparados farmacêuticos, madeira para embutidos, corante para lã) medicina tradicional (ritidoma, frutos).

44. ESPINHEIRO-PRETO – Rhamnus lycioides subsp. Oleoides

Família: Rhamnaceae
Morfologia: Arbusto de até 2 m, folhas persistente, erecta ou decumbente, con ramos espinhosos. Folhas de 5-45 x 2-18 mm, com pecíolo pubérulo ou velutino, ligeiramente obovado-elípticas a largamente obovadas, inteiras, geralmente obtusas, mucronadas ou emarginadas, fasciculadas e alternas, glabras, pubérulas o velutinas, com nervação bem marcada, coriáceas. Flores fasciculadas, com pedicelo de até 6,5 mm. Corola com 4(-5) pétalos lineares o filiformes, a veces ausentes.
Fruto: de 3,3-5 x 3,4-5 mm, con 2-3 pirenos, glabros o pubérulos, verde amarelentos o avermelhados. Sementes de 3,3-4,7 mm.
Habitat/ Ecologia: Matagais xerofíticos e bosques de coníferas. Ocorre em matos abertos em encostas secas, quentes e pedregosas, frequentemente em declives acentuados. Em solos calcários.
Época de Floração: Março – Maio

Distribuição: Oeste da Região Mediterrânica

45. SALGUEIRO-PRETO – Salix atrocinerea

Família: Rhamnaceae
Morfologia: Arbusto ou pequena árvore caducifólia, até 10 m de altura, de copa pouco densa. Folhas com 2-10 X 1-2(4) cm, alternas, simples, obovadas, oblongas ou elípticas, um pouco alargadas no ápice, com margem mais ou menos inteira e revoluta e nervuras proeminentes; pêlos ferruginosos, misturados com outros esbranquiçados, em ambas as páginas ou só na inferior, que é glauca; estípulas presentes. Flores, que nascem antes das folhas, pequenas, agrupadas em amentilhos de 7 X 1-2 cm, masculinas e femininas separadas e em plantas diferentes (espécie dióica), sésseis ou sobre um curto pedúnculo, com brácteas dens- amente pilosas; as masculinas com 2 estames de filetes livres pilosos na base e as femininas com ovário piloso e pedunculado.
Fruto: uma cápsula pilosa, que abre em 2 valvas.
Habitat/ Ecologia: Margens de cursos de água, em locais frescos e permanentemente húmidos e alagados, por vezes nitrificados. Espécie de luz, com preferência por solos ácidos e pouca tolerância a temperaturas extremas.
Época de Floração: Janeiro – Abril
Distribuição: Europa, África e Ásia: Região Mediterrânica.
Utilização: Por florescer cedo é uma importante espécie melífera. Adequada para estabilizar terrenos e combater a erosão, devido ao seu extenso sistema radical, constituindo também uma boa barreira contra o vento. Hibrida frequentemente com plantas de outras espécies do mesmo género.

46. BORRAZEIRA-BRANCA – Salix salvifolia subsp. australis

Família: Rhamnaceae
Morfologia: Arbusto com crescimento até 6 m de altura. Tronco com casca cinzenta e pequenos sulcos longitudinais; as pernadas são levantadas e os raminhos são nodosos, pubescentes ou desprovidos de pêlos e de cor acinzentada ou acastanhada. As folhas têm 2 a 10 por 1 a 2 cm e 13 a 20 pares de nervuras laterais, são linear-lanceoladas a oblongas, acinzentadas e com as margens revolutas; são tomentosas em ambas as páginas mas os pêlos são mais densos na página inferior, assim como no pecíolo, que é ladeado por duas estípulas. As inflorescências são amentilhos simultâneos com as folhas e com algumas brácteas foliáceas de ambos os lados de um curto pedúnculo. As flores masculinas têm 2 estames livres ou ligeiramente aderentes na base e filamentos pubescentes; as femininas apresentam um pistilo pubescente e pedicelado.
Fruto: é uma cápsula tomentosa.
Habitat/ Ecologia: Ripícola
Época de Floração: Março – Maio
Distribuição: Península Ibérica

47. SABUGUEIRO – Sambucus nigra

Família: Caprifoliaceae
Morfologia: É um arbusto denso, muito ramificado de copa arredondada que cresce até aos 5 metros de altura (não ultrapassa os 10m). Cada folha, grande, é formada por 5 a 7 folíolos ovado-lanceolados a ovado-elípticos, opostos e serrados. O tronco, de cor cinza-claro quando jovem, apresenta uma casca grossa e sulcos longitudinais quando mais velho.
Fruto: Baga carnuda e globosa que passa de verde a negra, no fim da maturação. São um importante alimento para aves, nomeadamente as toutinegras e os melros, desviando-os de árvores fruteiras. A maturação dos frutos acontece entre agosto e outubro.
Habitat/ Ecologia: Ripícola de folhagem caduca. Prefere solos frescos, com certa humidade, nível freático elevado, nas margens dos cursos de água.
Época de Floração: Abril – Agosto
Distribuição: Grande parte Europa, Cáucaso, W e SW Ásia; subespontânea
N África (Argélia e Tunísia) e Macaronésia (Açores e Madeira)
Utilização: É uma planta muito versátil, pois são usadas todas as suas partes: cascas, raízes, folhas, flores e frutos. O primeiro registo do uso desta planta no meio medicinal parece ter aparecido nos escritos de Hipócrates há 2.500 anos. A planta é ligeiramente tóxica (devido à sambunigrina, um glucósido cianogénico) nas folhas, casca fresca, frutos verdes. Os frutos maduros (comestíveis) e as flores podem ser usados. As bagas devem ser ingeridas preferencialmente secas e com moderação.

48. TAMARGUEIRA – Tamarix africana

Família: Tamaricaceae
Morfologia: Árvore ou arbusto caducifólio, até 6 m, de ramos negros ou purpúreo-escuros, flexíveis. Folhas com 1,5-4 mm, alternas, simples, es- camiformes (parecidas às do cipreste), agudas, verde-escuras, com margem membranosa semitransparente. Flores pequenas, com 5 pétalas com 2-3 mm, brancas ou rosadas, agrupadas em cachos em forma de espiga cilíndrica com 5-8 mm de diâmetro, inseridos nos rebentos do ano e nos raminhos do ano anterior.
Fruto: cápsula ovalada, com numerosas sementes com um tufo de pelos.
Habitat/ Ecologia: Espécie ripícola que ocorre em solos húmidos, preferencialmente siliciosos, próximos dos cursos de água, lagos ou lagoas, de água doce ou salobra (ocasionalmente em solos salinos), assim como em linhas de água temporárias, sobre solos secos e pedregosos. Ocorre desde o nível do mar até aos 800 m de altitude. Quando é espécie dominante, dá origem aos tamargais.
Época de Floração: Março – Junho
Distribuição: Distribui-se pela Europa ocidental, bacia mediterrânica e Marrocos. Em Portugal continental ocorre em todo o território a sul do rio Tejo e, pontualmente, no norte litoral.
Utilização: Espécie de crescimento rápido, muito útil na fixação de margens de ribeiras e dunas litorais. A sua madeira constitui um combustível de boa qualidade.

49. ATEL – Tamarix aphylla

Família: Tamaricaceae
Morfologia: Árvore persistente que cresce até aos 18 metros. As pequenas folhas estão dispostas alternadamente ao longo dos galhos e exalam sal, que pode formar uma camada crostosa na superfície, que pinga para o solo.
Habitat/ Ecologia: É encontrada ao longo de cursos de água em áreas áridas. Muito resistente a solos salinos e alcalinos.
Época de Floração: Abril – Agosto
Distribuição: Natural da Algeria. Nativa do norte, leste e centro de África, passando pelo Oriente Médio e em partes do oeste e sul da Ásia.
Utilização: Tem sido usada como quebra-vento e árvore de sombra na agricultura e horticultura há décadas, especialmente em regiões mais secas, como o oeste dos Estados Unidos e Austrália Central e ocidental. Devido à sua maior resistência ao fogo, pode ser usado como barreira. Mesmo quando seca, a sua madeira é difícil de queimar, devido ao alto teor de cinzas (30-40%) e ao maior teor de sal das suas folhas. Depois de um incêndio, geralmente volta a crescer, a menos que a coroa da raíz seja destruída.
Reproduz-se por semente, rebentos ou por estaca.

50. SABINA – Tetraclinis articulata

Família: Cupressaceae
Morfologia: Árvore monóica, perenifólia, resinosa, até 15 metros de altura e 0,5m de diâmetro, com copa cónica; o tronco é simples, ereto, bastante e densamente ramificado na base, pernadas ascendentes, raminhos articulados, comprimidos e ritidoma fissurado, cinzento-acastanhado; gomos pequenos; folhas escamiformes, imbricadas, verdes, cobrindo todo o ramo, sendo o par mais estreito que o outro.
Fruto: falso-gálbulo, subgoloboso, tetragonal, cinzento-acastanhado, de 1 cm, maturação anual.
Habitat/ Ecologia: Não tem Época de Floração: Fevereiro
Distribuição: Malta, Chipre, Sudeste Espanha e Noroeste de África. Introduzida na Palestina.
Utilização: Ornamental, madeira – decoração, resina (verniz e laca), medicina tradicional.
Reproduz-se por semente, rebentos ou por estaca.

51. FOLHADO – Viburnum tinus

Família: Adoxaceae
Morfologia: Arbusto perenifólio, até 7 m de altura, de copa densa ovoide e raminhos densamente pilosos. Folhas com 4-14 X 3,5-9 cm, oposto-cruzadas, simples, ovadas e agudas, geralmente inteiras, com pecíolo curto, densamente pilosas na página inferior. Flores com 5-9 mm de diâmetro, com corola rosada por fora e branca por dentro, com 5 pétalas unidas na base, numerosas em ramalhetes arredondados.
Fruto: uma pseudodrupa subglobosa, com cerca de 8 mm, azul escura a preta, brilhante. Maturação dos frutos: verão, início do outono.
Habitat/ Ecologia: Bosques, orlas de bosques, sebes ribeirinhas e matagais, geralmente em locais abrigados, húmidos e sombrios. Também muito utilizada como ornamental.
Época de Floração: Janeiro – Abril
Distribuição: Endémico na Região Mediterrânea Ocidental: Sul da Europa, Norte de África e Ilhas Atlânticas. Em Portugal ocorre nas regiões sul, centro, vale do Douro e arquipélagos.
Utilização: Muito cultivada como ornamental, por ser uma planta de crescimento rápido, bastante tolerante à poda e requerendo poucos cuidados, com folhagem bastante decorativa.